terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

SÃO PAULO DECIDE O QUE O RESTO DO PAÍS VAI ASSISTIR

Calma! Colocado desse jeito parece que aqui vai um show de bairrismo. Mas não é nada disso. A frase que dá título a este post é um fato. Quando você ouve dizer, por exemplo, que o programa X deu 20 pontos, é porque ele deu 20 pontos em São Paulo. Outras praças nem são levadas em consideração.

Houve um tempo em que Gugu Liberato ganhava do Faustão quase todo domingo. Isso já faz quase dez anos. Mas o que poucos sabiam é que Gugu só ganhava em São Paulo. Perdia - e de  muito - em muitas outras cidades.

A novela "Da cor do pecado", de João Emanuel Carneiro, dava Ibope de novela das oito nos estados do Nordeste. Novela das oito do tempo em que novela das oito dava uma audiência estrondosa, claro. Era coisa de quase 60 pontos. Mas em São Paulo dava menos de 40 (acho que chegou a bater neste índice, não me lembro).

Num país que, como bem lembrou o presidente da Fifa, Joseph Blatter, é um subcontinente, é um absurdo se medir a audiência em uma praça só - ainda que todo o mercado publicitário do mundo esteja lá. Ainda que seja a maior cidade do país. Tudo é feito para agradar São Paulo. Num país com tantos hábitos diferentes a audiência tinha que ser medida nacionalmente - como nos Estados Unidos.

Outro exemplo? Reparem no programa Casseta & Planeta, assim que ele voltar ao ar. Não se fala políticos do Rio. Não se brinca com os problemas de outra cidade. Mas se brinca à exaustão com os times de São Paulo, com os políticos de São Paulo, com o engarrafamento de São Paulo.

Quando eu falo São Paulo, vejam bem, não me refiro ao Estado. Me refiro apenas a cidade. A cidade decide o que o Estado vai ver. Se um programa fracassar em São Paulo, ele pode sair do ar, uma novela pode ser encurtada.

Acredito que um dia isso vai mudar. Mas por enquanto, é São Paulo que decide o que você vai ver. Quer você queira ou não.

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